Enjoy: Marcelo Cipis

6 Abril - 3 Julho 2021






Marcelo Cipis: Enjoy

Para maiores informações sobre a exposição, favor entrar em contato através do e-mail sales@bergamingomide.com.br ou do telefone + 55 11 98854.3055.

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ENJOY: CIPIS


A Bergamin & Gomide tem o prazer de apresentar “Enjoy”, uma exposição de Marcelo Cipis, com poemas de Angélica Freitas, que acontece entre os dias 06 de abril a 15 de maio.


Não bastasse ser a primeira individual do primeiro artista representado pela galeria, a exposição ganha contornos ainda mais especiais, apresentando um apanhado de cerca de 30 pinturas que fizeram, e fazem parte, de mais de 30 anos de trajetória de Marcelo Cipis. Pois bem, entre e aproveite!


Enjoy é a forma simpática de introduzir uma série de pinturas inéditas, e também antigas, afinal, Marcelo Cipis - chamaremos daqui para frente de Cipis - é conhecido por ser um artista prolífico, mas também por sua personalidade cativante. Quem ainda não o conheceu que se adiante para conhecê-lo...


A seleção de obras desnuda um lado nunca antes mostrado, um interessante contraste entre o abstrato e o figurativo que retrata a trajetória de Cipis. São pinturas abstratas, figurativas, geométricas, abstratas soltas, geométricas abstratas, formais, gestuais, brincadeiras - ora com a linha, ora com a forma, ora com a escrita -, que refletem o universo de Cipis, e por assim dizer, sua liberdade criativa. Aliás, liberdade é a palavra de ordem.


Esse é o resultado de uma maneira de ser, inquieta, digamos que Cipis é um artista inquieto, que enxerga as múltiplas possibilidades dos caminhos que um artista visual pode trabalhar. Admira esses diferentes caminhos, e quer trilhar por todos eles, sempre uma coisa levando a outra, percorrendo à sua forma a totalidade de ser.


“tive uma ideia. espera:

plop plop, tive três!

como é que eu faço agora?”

trecho de Ideas, poema de Angélica Freitas


Entre os destaques de Enjoy, está a pintura Cipis Face (2020), A referência da obra tem origem na instalação “Cipis Transworld Art, Industry & Commerce” realizada na 21ª Bienal de São Paulo (1991), onde um dos suportes era um recorte de madeira de 1,8 metros nesse formato, semelhante a uma ameba ou feijão. Na instalação, Cipis usava seu nome como elemento das diversas peças, colocando-se direto no trabalho como uma forma de garantir e carimbar sua singularidade, tudo com muito bom humor.


Obras de séries clássicas de Cipis, como a Tambor, fazem parte da exposição. Tambor Laranja (1996) foi a primeira obra da série, a ideia surgiu de forma espontânea, quando falando no telefone desenhou duas formas que se interligavam - a elipse e o trapézio - deu o nome de Tambor para relacionar ao ritmo pulsante das batidas do coração. Já a pintura Tambor infinito (1998) é uma experiência intermediária entre o início dos tambores e a série Crafts de 1998, a partir do gesto rápido e dinâmico o objetivo de Cipis foi criar um movimento e quebrar a estaticidade das figuras.


Mais uma famosa série de Cipis são as Misturinhas, na qual encontrou um método lúdico para nomeá-las. São diversos "departamentos" classificados como Misturinhas Maravilha, Misturinhas Caminhão, Misturinhas Matissianas e Misturinhas Heráldicas Entranhas (1999/2000), nestas últimas a inspiração veio de logotipos e brasões retratados graficamente por intestinos.


"ali onde a tripa dobra

pela 27ª vez

é que me dói

de saudades de você"

trecho de "musa interior" a partir da série entranhas, poema de Angélica Freitas


As obras Retrato de um Artista Ignorado pelo Sistema (2015) e Retrato de um Artista Super in Love com o Sistema (2016), são complementares e evidenciam a dualidade da vida de um artista, entre altos e baixos. O bom humor novamente toma conta das pinturas, segundo Cipis "quis fazer uma figura meio primitiva, maleável, folclórica, imaginária… me divirto escrevendo, gosto de escrever textos, gosto de misturar texto e imagem, gosto do alfabeto e das letras, da tipografia, como se estivesse narrando uma história através da pintura".


"tomara que você tenha muito sucesso

em sua carreira artística

não, verdade mesmo, tomara que você

seja muito bem-sucedido

sério, isto é o que eu desejo

que tudo de melhor suceda

no seu caminho como artista"

trecho de "elegantíase", poema de Angélica Freitas


Tudo pode ser assunto ou motivo para uma pintura, como na obra Panda 2 (2019). Nesse caso, de início, a figura contém uma certa estranheza, permeando algo entre um ser-bicho ou um bicho-ser, no entanto, os desejos pictóricos estão claros para Cipis, a cabeça do panda é retratada a partir da cor branca, assim cria um jogo de cores para mostrar veladamente a cor do fundo.


"- ele foi por ali

disse o panda

e apontou

para o fumódromo"

trecho de "dedo-duro" a partir de panda 2, poema de Angélica Freitas


Olho Dada (2016) é um típico trabalho inspirado pelo Dadaísmo, uma homenagem a Francis Picabia que dizia "uma pintura Dadá deve dar prazer para quem vê e para quem faz". Cipis afirma ter tido grande prazer em fazer esse trabalho, também foi uma das poucas vezes que usou tinta spray dourada, já o olho representa aquilo que é sagrado e sublime para o artista visual.


Em Fantasia Finlandesa (2020), Cipis cria um universo utópico. Um dia, cansado de ser brasileiro decide ser finlandês, passa a pintar os lugares e pessoas que vivem na capital Helsinki, sem nunca antes conhecê-la. A Finlândia é a sua própria Pasárgada, uma referência ao poema de Manuel Bandeira que começa assim "Vou-me embora pra Pasárgada; Lá sou amigo do rei; Lá tenho a mulher que eu quero; Na cama que escolherei (...)". O conjunto de pinturas simboliza o paraíso inatingível, uma utopia "Cipiesca", afinal, não sabemos se lá é melhor do que aqui, mas deve ser… na imaginação de Marcelo Cipis tudo é possível!


"estou finlandês

é o que importa

é muito bom

desde já"

trecho de "estou finlandês", poema de Angélica Freitas


Sobre o artista:

Com uma sólida carreira, o artista paulistano Marcelo Cipis (1959) transita por diversas linguagens como a pintura, desenho, colagem, instalação, escultura, entre outras. Formado em arquitetura pela FAU USP, inicia suas atividades como ilustrador editorial em 1977. Em 1982, vive uma temporada decisiva na Europa, quando visitas a diversos museus mudam o seu olhar e a sua relação com a pintura. De volta em São Paulo, realiza um acompanhamento de pintura com Dudi Maia Rosa. Em 1988, abre a sua primeira exposição individual na Galeria Documenta, também em São Paulo. Participa da 20ª edição da Bienal Internacional de São Paulo (1989) com a sala coletiva “Arte em jornal” e, em 1991, participa da 21ª edição com a instalação “Cipis Transworld, Art, Industry & Commerce”, onde cria um estande de uma empresa multinacional fictícia. Participa das 4ª e 5ª edições da Bienal de Havana (1991 e 1994). Como ilustrador ganha o Prêmio Jabuti em 1994, pela capa do livro “Como Água para Chocolate”, de Laura Esquivel, publicado pela Editora Martins Fontes. Cipis é um artista versátil – ainda que o seu principal suporte seja o papel e a tela, ele não se deixa limitar, sempre buscando nos materiais as suas múltiplas possibilidades e dando vazão à sua mente extremamente criativa. Desde os anos 2000, quando ganha o importante prêmio da Fundação Pollock-Krasner em Nova York, vem expondo as suas obras em galerias e instituições pelo mundo, como a exposição “Alface” em 2018, na galeria Mendes Wood, São Paulo. Em 2019, participa com pinturas da Série Drops na 14ª Bienal de Curitiba. Atualmente Cipis é representado pela galeria Bergamin & Gomide, em São Paulo.


Para maiores informações sobre a exposição, favor entrar em contato através do e-mail sales@bergamingomide.com.br ou do telefone + 55 11 98854.3055.


ENJOY: CIPIS

Bergamin & Gomide is delighted to present “Enjoy”, an exhibition by Marcelo Cipis, with poems by Angélica Freitas, which takes place from April 6th to May 15.

It was not enough to be the first solo show of the first artist represented by the gallery; the exhibition takes on even more special contours, encompassing paintings that were part of more than 30 years of Marcelo Cipis' career. Well, come in and enjoy!

Enjoy is an excellent way to introduce a series of new and previous paintings; after all, Marcelo Cipis, from now on, will call Cipis known for being a prolific artist and for his captivating personality. Anyone who has not yet met Cipis will go-ahead to meet him...

The selection of works reveals a perspective never before shown, an exciting contrast between the abstract and the figurative that depicts Cipis' trajectory. They are abstract, figurative, geometric, freely abstract, geometric abstract, formal, gestural, playing - sometimes with the line, or with form, or with writing - that reflect the universe of Cipis, and so to speak, his creative liberty. Liberty is the watchword.

This is the result of a restless way of being. Let us say that Cipis is a restless artist who sees the multiple possibilities of the ways that a visual artist can work. He admires these different paths and wants to cover all of them, always one thing to the other, going through his totality of being an artist.


“i had an idea. wait:

plop plop i had three!

what should i do now?”

excerpt from Ideas, poem by Angélica Freitas


Among the highlights of Enjoy, is the painting Cipis Face (2020). The reference of the work comes from the installation “Cipis Transworld Art, Industry & Commerce” held at the 21st Bienal de São Paulo (1991), where one of the artworks was a 1.8-meters wood cutout in this shape, similar to an amoeba or beans. In the installation, Cipis used his name as an element stamped on the various installation pieces, placing himself directly in the artworks as a way of guaranteeing and stamping his uniqueness, all with his well-known witty sense of humour.

Works from Cipis classical series, such as Tambor [Drum], are also part of the exhibition. Tambor Laranja (1996) was the very first work from the series. The idea came up spontaneously; when speaking on the phone, he drew two interconnected shapes - the ellipse and the trapezoid - he gave the name of Drum to relate to the pulsating rhythm of the heartbeat. The painting Tambor Infinito (1998) is an intermediate experience between the the Tambor series and the Crafts series of 1998. It departed from the fast and dynamic gesture that Cipis'aimed to create a movement and break the statics of the figures.

Another famous Cipis’ series is the Misturinhas, in which he found a playful method to name them. There are several “departments” classified as Misturinhas Maravilha, Misturinhas Caminhão, Misturinhas Matissianas, and Misturinhas Heráldica Entranhas (1999/2000), in the latter one the inspiration came from logos and coats depicted graphically by intestines.


“there where the gut folds

for the 27th time

is where I hurt

longing for you”


excerpt from “Interior Muse” after the Heráldica Entranhas series, poem by Angélica Freitas


The works Artista Ignorado pelo Sistema (2015) and Retrato de um Artista Super in Love com o Sistema (2016) are complementary and show the duality of the ups and downs of an artist’s life. Good humor takes over the paintings again. According to Cipis “I wanted to make a somewhat primitive, malleable, folkloric, imaginary figure ... I have fun writing, I like to write texts, I like to mix text and image, I like the alphabet and the letters, the typography as if telling a story through painting”.


“i hope you have much success

in your artistic career

no, i mean it, i hope you

are very successful,

really, that’s what I wish for

that all the best happens

in your path as an artist”


excerpt of “Elegantiasis”, poem by Angélica Freitas


Everything can be a subject or reason for a painting, as in Panda 2 (2019). In this case, at first, the figure contains a certain strangeness, permeating something between a being-animal or an animal-being. However, the pictorial desires are clear to Cipis; the panda's head is portrayed by white color and creates a play of colors to show the background color.


“- he went that way

said the panda

and pointed

to the smoking room”


excerpt from “Snitch” after Panda 2, poem by Angélica Freitas


Olho Dada (2016) is a typical work inspired by Dadaism, a tribute to Francis Picabia who said, “a Dadá painting must give pleasure to those who see it and to those who make it”. Cipis claims to have taken great pleasure in doing this work; it was also one of the few times he used golden spray paint, as the eye represents what is sacred and sublime for the visual artist.

In Fantasia Finlandesa (2020), Cipis creates a utopic universe. One day, tired of being Brazilian, he decided to be Finn, and so started to paint the places and people who live in the capital Helsinki, without ever knowing them. Finland is his own Pasárgada, a reference to Manuel Bandeira's poem that starts like this: “I'm going away to Pasárgada; There I am a king’s friend; There I have the woman I want; In the bed, I will choose (...) ”. The group of paintings symbolizes the unattainable paradise, a “Cipiesca” utopia, after all, we do not know if there is better than here, but it must be ... in Marcelo Cipis’s, imagination everything is possible!


“i’m feeling finn

it is all that matters

it already feels

pretty fine


excerpt from “I’m feeling finn”, poem by Angélica Freitas


About the artist:

With a solid career, the São Paulo-based artist Marcelo Cipis (1959) transits through several techniques as painting, drawing, collage, installation, sculpture, among others. Graduated in architecture from FAU-USP, he started his activities as an editorial illustrator in 1977. Five years later, he moved to Europe, where visits to several museums changed his outlook and relationship with painting. Back in Sao Paulo, he attends Dudi Maia Rosa's painting classes. In 1988, he opened his first solo exhibition at Galeria Documenta, also in Sao Paulo. He participates of the Bienal Internacional de Sao Paulo (1989) in the collective room “Arte em Jornal” [Newspaper Art] and, in 1991, Cipis creates "Cipis Transworld, Art, Industry & Commerce", a fictional multinational company, installation for the following edition of the biennale. The artist also partakes of two consecutive Havana Biennial (1991 and 1994). As an illustrator, he won the Jabuti Award in 1994, for the cover of the book “Como Água para Chocolate”, by Laura Esquivel, published by Editora Martins Fontes.

Cipis is a versatile artist - although his main support is paper and canvas, he does not allow himself to be limited and is always investigating the materials's multiple possibilities, thus voicing his highly creative mind. Since the 2000s, when he won the important prize from the Pollock-Krasner Foundation in New York and his body of work exhibited in galleries and institutions worldwide, such as the exhibition “Alface” in at the Mendes Wood gallery (São Paulo, 2018). In 2019, he participated with paintings from the "Drops" series at the 14th Bienal de Curitiba. Marcelo Cipis is represented Bergamin & Gomide gallery, in Sao Paulo.