Pedro Caetano Brasil, 1979

A obra de Pedro Caetano trava um diálogo com o legado de artistas ligados a algumas das principais correntes da arte do século XX - particularmente o minimalismo norte-americano e a geração de pintores que emergiu nas cidades de Colônia e Dusseldorf na década de 1970 -, aliando essas referências a elementos retirados do contexto contemporâneo a fim de explorar as dinâmicas de atribuição de valor na arte e na sociedade nos dias de hoje.

 

As pinturas de Pedro Caetano pinturas e esculturas são caracterizadas pelo uso de uma iconografia emprestada dos registros da alta e da baixa cultura, bem como pelo humor ácido e auto-depreciativo; qualidades essas que revelam uma atitude que é ao mesmo tempo de reverência e irreverência em relação aos cânones da arte.

 

Outro procedimento recorrente em sua prática é a apropriação de objetos cotidianos como sacolas plásticas, latas de bebidas, camisetas de futebol, entre muitos outros produtos industrializados que remetem ao universo de uma economia popular. Ao incorporar esses objetos comuns a um repertório visual erudito, Pedro Caetano mobiliza discussões acerca do valor de uso e troca do objeto artístico e dos mecanismos de fetichização da arte no atual mercado global.

 

O resultado dessa confluência de interesses é uma obra que se situa em uma zona de ambiguidade e desconforto em que a ‘bad painting’ alemã, o serialismo rigoroso da Minimal Art e as inúmeras citações a artistas modernos e contemporâneos convivem com um repertório da cultura de massa que é geralmente considerado ‘simplório’ ou ‘de mau gosto’, como a estética kitsch dos produtos manufaturados em massa ou as imagens açucaradas do universo infantil. Em última instância, ao colidir uma variedade de signos reconhecíveis e provenientes diferentes hierarquias de valor, o trabalho de Pedro Caetano coloca em cheque ideias preconcebidas a respeito do papel social do artista e da própria arte.

 

De formação heterodoxa – é formado em Cinema e teve passagens pelas faculdades de História e Desenho Industrial -, também atua em diferentes esferas do sistema das artes: foi fundador de galeria (a Galeria Polinesia, que entre 2007 e 2010 apresentou artistas como Ana Mazzei, Adriano Costa, Fernando Marques Penteado, Rodolpho Parigi, Carlos Issa, entre outros); foi produtor e DJ da festa Delírio, em parceria com Adriano Costa; colaborou com a extinta revista de cinema PLANO B; desenvolve projetos de curadoria (já organizou 10 mostras coletivas) e, mais recentemente, toca a Rádio & Lanches, uma web radio focada em música e cultura.

 

Kiki Mazzucchelli